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				<journal-title>Acta Scientiarum. Education</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Acta Educ.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2178-5201</issn>
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				<publisher-name>Editora da Universidade Estadual de Maringá - EDUEM</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.4025/actascieduc.v48i1.73905</article-id>
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					<subject>FORMAÇÃO DE PROFESSORES E POLÍTICAS PÚBLICAS</subject>
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				<article-title>Uma década de amotinação sobre um material não publicado: representações de um ex-chefe do Executivo sobre o ‘kit gay’</article-title>
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					<trans-title>Una década de motín por material inédito: declaraciones de un ex director ejecutivo sobre el ‘kit gay’</trans-title>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-9068-1983</contrib-id>
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						<surname>Oliveira</surname>
						<given-names>Isaias Batista de</given-names>
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					<xref ref-type="corresp" rid="c1"><sup>*</sup></xref>
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						<surname>Ferreira</surname>
						<given-names>Diego Raone</given-names>
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					<label>1</label>
					<institution content-type="original"> Universidade Estadual do Paraná, Av. Minas Gerais, 5021, 86813-250, Apucarana,, Paraná, Brasil. </institution>
					<institution content-type="orgname">Universidade Estadual do Paraná</institution>
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					<label>*</label>Autor para correspondência. E-mail: <email>jrbattis@gmail.com</email>
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					<p>INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES Isaias Batista de Oliveira Júnior: Professor Adjunto na Universidade Estadual de Maringá - UEM. Docente Permanente do Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade Estadual de Maringá. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9068-1983 E-mail: ibojunior@uem.br </p>
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					<p>Diego Raone Ferreira: Doutor e Mestre em Enfermagem pelo Programa de Pós-graduação em Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá - PSE/UEM. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7633-2085 E-mail: raonediego@gmail.com </p>
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					<p>Editor associado responsável: Solange Franci Raimundo Yaegashi (UEM) ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7666-7253 E-mail: sfryaegashi@uem.br</p>
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			</author-notes>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
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				<year>2025</year>
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			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>RESUMO. </title>
				<p>Esta pesquisa descritiva objetiva categorizar e analisar os discursos sustentados na Teoria das Representações Sociais de Jair Bolsonaro, nos períodos eleitorais de 2018 e 2022, acerca do ‘kit gay’. Para materializar o objetivo, recorremos a análise de conteúdo mediante duas categorias: ‘Dá pra continuar discutindo esse assunto? Dá nojo’: representações sociais de um Deputado Estadual e ‘Nós continuaremos combatendo esse tipo de material’: <italic>fake news</italic> na campanha eleitoral de 2018. Depreendemos que as representações em momentos decisórios da democracia desenharam os últimos anos da Educação Brasileira no que se refere a violência contra estudantes LGBTQIAPN+, como por exemplo, a destituição de Programas e Projetos, extinção ou diluição de pastas, patologização da homossexualidade e sua invisibilidade em políticas públicas, sociais e educativas. Talvez, ao se deparar com este texto, você esteja diante de um novo cenário político, talvez, se encontre dentro do mesmo vórtice desenhado na última década. E se chegou até aqui é porque tais discussões lhes sejam caras. Resta a nós, educadores e cientistas sociais, com base em representações reificadas irromper a amálgama do senso comum de modo que possamos garantir direitos básicos e pétreos como a liberdade e igualdade de toda a população LGBTQIAPN+, seja no contexto escolar, seja fora dele.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN. </title>
				<p>Esta investigación descriptiva tiene como objetivo categorizar y analizar los discursos sostenidos por la Teoría de las Representaciones Sociales de Jair Bolsonaro, en los períodos electorales de 2018 y 2022, sobre el ‘kit gay’. Para materializar el objetivo utilizamos el análisis de contenido utilizando dos categorías: ‘¿Podemos seguir discutiendo este tema? Es repugnante’: representaciones sociales de un diputado estatal y ‘Seguiremos luchando contra este tipo de material’: noticias falsas en la campaña electoral de 2018 Entendemos que las representaciones en momentos de decisión de la democracia configuraron los últimos años de la Educación brasileña en relación con la violencia contra los estudiantes LGBTQIAPN+, como, por ejemplo, la destitución de Programas y Proyectos, la extinción o dilución de carteras, la patologización de la homosexualidad y su invisibilidad en la vida pública, social y educativo. Quizás, cuando te encuentres con este texto, estés ante un nuevo escenario político, quizás te encuentres dentro del mismo vórtice diseñado en la última década. Y si ha llegado hasta aquí es porque aprecia este tipo de debates. Nos corresponde a nosotros, educadores y científicos sociales, a partir de representaciones cosificadas, romper con la amalgama del sentido común para que podamos garantizar derechos básicos y duraderos como la libertad y la igualdad para toda la población LGBTQIAPN+, ya sea en el contexto escolar o fuera de él.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras chave:</title>
				<kwd>representações sociais</kwd>
				<kwd>‘kit gay’</kwd>
				<kwd>violência LGBTQIAPN+</kwd>
				<kwd>fake news</kwd>
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				<title>Palavras clave:</title>
				<kwd>representaciones sociales</kwd>
				<kwd>‘kit gay’</kwd>
				<kwd>violencia LGBTQIAPN+</kwd>
				<kwd>noticias falsas</kwd>
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		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>As Representações Sociais - RS - são vistas como uma ‘atmosfera’, em relação ao indivíduo ou a um grupo, que ao compartilhá-las, direciona posturas e condutas que servirão como justificativas nas tomadas de posições e na construção de determinados discursos. Essas representações ao se cristalizarem no ideário individual e/ou coletivo serão trazidas à baila para resguardar às particularidades de determinados extratos sociais (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Moscovici, 2015</xref>). Assim tem sido a década, compreendida entre 2012 e 2022, onde o ex-Chefe do Executivo, Jair Messias Bolsonaro, evocou, durante seu mandato e as vésperas dos pleitos eleitorais de 2018 e 2022, o famigerado ‘kit gay’.</p>
			<p>As representações do político, bem como do grupo que o apoiava, sobre o material, disseminadas em forma de <italic>fake news</italic> ou notícias falsas, ilustraram como um conjunto de conceitos e explicações míticas ou de crenças, tornam-se senso comum e passam a compor o repertório de determinados grupos eleitoreiros, que a partir daí, buscam estabelecer parentescos analógicos dessas representações solidificadas em seu ideário com seus discursos. Esses grupos ao emitirem julgamentos aparentemente absolutos, evocam alternativas condicionais, tidas como legítima, ou condicionalmente genéricas e abertas. É nesta condicionalidade que a Teoria das Representações Sociais - TRS - nos possibilita estabelecer critérios analíticos para distinguir as cognições consideradas absolutas das cognições condicionais, ao mesmo tempo em que nos permite compreender à dinâmica relacional entre os elementos cognitivos dos dois sistemas (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Moscovici, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Sá, 1996</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">Abric, 1998</xref>). </p>
			<p>Essas RS nos levam a compreender os sistemas de pensamentos de quem as evoca, cujo qual, pode ser representado pelo universo consensual ou reificado. O universo reificado é produzido pelo rigor científico e demanda objetividade, técnicas e metodologias reconhecidas pela ciência, não sendo o caso em tela. O universo consensual ou senso comum, objeto de nossa análise, apresenta forte ligação com as concepções intelectuais de determinado grupo e são constituídas nas interações sociais. Nesse caso é quase possível observamos a olho nu, a cristalização dessas representações no ideário coletivo de uma parcela da sociedade brasileira, ao tomarem como verdade absoluta os discursos acerca do ‘kit gay’ (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Sá, 1996</xref>).</p>
			<p>Em linhas gerais, podemos compreender essa mediação através de dois processos cognitivos: a ancoragem e a objetivação. O primeiro visa transformar algo estranho e perturbador em nosso sistema particular de categorias ajustando-o a algo familiar e que nos parece mais apropriado, ou seja, explicita como novas informações são integradas e transformadas as informações já existentes em nossa estrutura mental. O segundo consiste na transformação de imagens abstratas em algo concreto, e na análise que aqui fazemos observamos a objetivação acerca do ‘kit gay’ nas arengas de um ex-chefe do Executivo e seu eleitorado (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Jodelet, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B18">Moscovici, 2015</xref>). </p>
			<p>Partindo dessas premissas, e sustentado na TRS, adequamos nosso estudo com o intuito de categorizar e analisar como se organizaram as representações, constituídas no senso comum, do candidato à Presidência da República no período eleitoral e suas projeções ao longo do tempo. Para materializar nosso objetivo, recorremos a análise de conteúdo, conforme pressuposto por <xref ref-type="bibr" rid="B2">Bardin (2016</xref>). Desse modo, realizamos uma varredura na rede mundial de computadores a fim de encontrarmos discursos do referido político em dois momentos decisórios da democracia brasileira que correspondessem às campanhas eleitorais de 2018 e 2022. Ao fazermos inferências nos discursos do ex-candidato a chefe do Executivo, estabelecemos as seguintes categorias de análise: ‘Dá pra continuar discutindo esse assunto? Dá nojo’: representações sociais de um deputado estadual e; ‘Nós continuaremos combatendo esse tipo de material’: <italic>fakes news</italic> da campanha eleitoral de 2018”.</p>
			<p>Partindo dessas categorias organizamos nosso texto em seções, sendo que na primeira faremos um percurso histórico sobre a construção do Kit de Combate e Prevenção a Homofobia, na segunda recorremos as análises discursivas do ex-político em questão, na sequência enfatizamos o labor do Supremo Tribunal Eleitoral no combate as <italic>fakes news</italic> e por fim tecemos considerações acerca das representações obtidas.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O Kit de Combate e Prevenção a Homofobia </title>
			<p>É necessário refazermos um breve percurso histórico para compreendermos o contexto em que fora elaborado este material e sua projeção em períodos eleitorais. A princípio, vale chamar a atenção de quem nos lê para o nome oficial do Projeto intitulado: <italic>Kit</italic> de Combate e Prevenção a Homofobia, cujo qual, fora apelidado de maneira pejorativa de ‘<italic>kit gay’</italic>, a época, pelo então Deputado Estadual, do município do Rio de Janeiro, Jair Messias <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bolsonaro, no ano de 2011</xref>. </p>
			<p>Retomando nosso delineamento histórico, observamos que o Plano Plurianual de 2004 a 2007, levando em consideração os danos provocados pela homofobia, na comunidade LGBTQIAPN+ (Lésbicas, <italic>Gays</italic>, Bissexuais, Transgêneros, <italic>Queer</italic>, Questionadores, Intersexuais, Assexuais, Aliados, Pansexuais, Polissexuais, Não Binárias e mais), definiu na esfera do <italic>Programa Direitos Humanos Direito de Todos,</italic> a Elaboração do Plano de Combate à Discriminação contra Homossexuais (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Ministério da Saúde, 2004</xref>). </p>
			<p>Contemplando as orientações previstas no Plano, foi incumbido a Secretaria Especial de Direitos Humanos arquitetar o ‘Programa Brasil sem Homofobia - Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra pessoas LGBT e de Promoção à Cidadania de Homossexuais’. Os objetivos norteadores do Programa se sustentavam na promoção da cidadania e direitos humanos, equiparação de direitos, combate à violência e à discriminação de pessoas LGBTQIAPN+ (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Oliveira Júnior, 2013</xref>). </p>
			<p>Com uma extensa pauta o ‘Programa Brasil sem Homofobia’ estabeleceu ações específicas a área da Educação, palco de futuros embates conservadores. Buscando contemplar essas diretrizes, o Governo Federal, objetivou promover estratégias que contribuíram para a criação do ‘Projeto Escola sem Homofobia’.</p>
			<p>No ano de 2009, foi dado o pontapé inicial na solidificação do Projeto Escola Sem Homofobia, por meio da elaboração e publicação de materiais didáticos a serem distribuídos na Rede Pública de Ensino Médio de todo o país, estratégia pensada, elaborada e executada por meio de uma coalizão de Organizações Não Governamentais representativas do Movimento LGBTQIAPN+ e do Ministério da Educação e Cultura - MEC. Foi nesse contexto que se aventou a confecção de um material didático o qual se atribuiu a alcunha de <italic>Kit</italic> de Combate e Prevenção à Homofobia, amplamente difundido, por agentes contrários à sua distribuição, como ‘<italic>kit gay</italic>’ (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Fernandes, 2011</xref>).</p>
			<p>Desenvolvido e elaborado ao longo de dois anos, o <italic>Kit</italic> previa a distribuição, no segundo semestre de 2011, de um conjunto de materiais didáticos para a Rede Pública de Ensino Médio, incluindo: <italic>Boleshs</italic> (Boletins Escola sem Homofobia), cartaz de divulgação, carta de apresentação para profissionais da educação, Caderno Escola sem Homofobia - disponível ainda hoje na rede mundial de computadores e Recursos Audiovisuais com 05 vídeos curtos: Medo de Quê? Boneca na Mochila, Torpedo, Encontrando Bianca e Probabilidade (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Oliveira Júnior, 2013</xref>). </p>
			<p>A contenda acerca do material se iniciou na apresentação inicial do Kit, promovida por André Lázaro, que naquele momento ocupava a função de Secretário do Ministério da Educação, causando desconfianças quanto à finalidade e intencionalidade do seu conteúdo. </p>
			<disp-quote>
				<p>[...]. Só para contar uma história à dificuldade num dos materiais didáticos, dos filmes, tinha um beijo na boca, e a gente ficou, um beijo lésbico na boca, e a gente ficou três meses discutindo até onde ia, até onde entrava a língua né [risos] [...] (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Representante..., 2022</xref>). </p>
			</disp-quote>
			<p>O que se viu a partir desse momento foi um movimentar frenético de bancadas políticas conservadoras e sociedade civil se posicionando contrariamente à distribuição do <italic>Kit</italic>. A relação entre Estado e as ONGs envolvidas na elaboração do Projeto tornou-se tensa nesse momento, principalmente com aquelas que lidam com estudos de gênero, sexualidade, combate à LGBTQIAPN+fobia e escola. A recepção da proposta do <italic>Kit</italic> de Combate e Prevenção à Homofobia pelos setores ligados ao fundamentalismo religioso, durante o Seminário do ‘Escola Sem Homofobia’ na Câmara de Deputados do Congresso Nacional, foi permeada por polêmica, resistência e LGBTQIAPN+fobia explícita (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Fernandes, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B9">Grespan &amp; Goellner, 2011</xref>). </p>
			<p>Assim, em 2010, câmaras legislativas se transformaram em arenas de repúdio ao projeto. Políticos recorriam à imprensa frequentemente solicitando apoio da sociedade civil para conter a distribuição do material e essa, por sua vez, distribuía pela rede mundial de computadores <italic>fake news</italic> e incontáveis manifestos de suspensão do <italic>Kit</italic>. Dentre as notícias falsas predominava o discurso de que o Governo Federal estaria financiando práticas homossexuais em crianças e adolescentes (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Fernandes, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16">Mello et al., 2012</xref>).</p>
			<p>No epicentro desses embates, adquiriu visibilidade a figura de Jair Messias Bolsonaro, então Deputado Federal do Rio de Janeiro, seja pelo seu extremismo com viés LGBTQIAPN+fóbico, seja pela distribuição do ‘Panfleto Anti-<italic>Gay</italic>’, jogada discursiva que adquiriu quórum e rapidamente começou a circular nas mais distintas instâncias midiáticas chamando a atenção para os supostos perigos que o material pedagógico provocaria na educação e na sociedade brasileira (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Brandão &amp; Santana, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B9">Grespan &amp; Goellner; 2011</xref>). </p>
		</sec>
		<sec>
			<title>“Dá pra continuar discutindo esse assunto? Dá nojo”: representações sociais de um deputado estadual </title>
			<p>O discurso transmitido pela TV Câmara, no dia 30 de novembro de 2010, proferido pelo Deputado, Jair Bolsonaro, causou revolta na comunidade LGBTQIAPN+, ONGs e MEC, primeiramente pelo seu caráter preconceituoso, sexista, heteronormativo, de incitação à violência e desprovido de qualquer respeito humano, bem como pelo seu profundo desconhecimento do conteúdo que compunha o <italic>Kit</italic> de Combate e Prevenção à Homofobia. Além disso, incitou considerável parcela da sociedade a repudiar o material sem ao menos conhecê-lo. </p>
			<p>Essas representações, de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B18">Moscovici (2015</xref>) são vistas como uma ‘atmosfera’, em relação a pessoa ou ao grupo; específicas de nossa sociedade. Esse conhecimento, ao ser compartilhado por um político, como é o caso, serviram para referendar posições e a construção de certas condutas de uma parcela considerável da população. Nesse sentido vale reproduzir excertos discursivos do político na sessão legislativa descrito por <xref ref-type="bibr" rid="B21">Oliveira Júnior (2013</xref>, p. 89, grifo nosso).</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] quero tratar de um assunto aqui que no meu entender pra mim, que em vinte anos de Congresso é o maior escândalo que eu tomei conhecimento [...]. Atenção pais de alunos de seis, sete, oito, nove e dez anos da rede pública. Atenção pais, os seus filhos vão receber o ano que vem na escola um <italic>kit</italic>. Esse <italic>kit</italic> com o título ‘Combate à Homofobia’, mas na verdade é um estímulo ao <italic>homossexualismo</italic>. É um incentivo à promiscuidade, ou seja, nesse <italic>kit</italic>, contêm DVDs com duas historinhas [...] que o teu filho de sete anos, vai assistir o ano que vem, se nós aqui não tomarmos uma providência agora. Primeira historinha: um garoto de mais ou menos quatorze anos, de nome Ricardo, vai no banheiro fazer ‘pipi’, olha pro lado e o coleguinha dele também tá fazendo e ele se apaixona por esse colega [...] e daí ele resolve vencer o <italic>bullying</italic> e assumir a sua homossexualidade. Isso garotos de sete, oito, nove, dez anos vão assistir no ano que vem. Bem daí pra frente à cena do filme: quando a professora chama de Ricardo em sala de aula ele se revolta, modos gays, com seus trejeitos e fala assim, balbucia, Bianca. Meu nome é Bianca. E esse filme no fim dá a seguinte lição de moral: esse comportamento do Ricardo ou da Bianca, então passa a ser um comportamento exemplar para os demais alunos. Depois tem um outro filmete: das duas meninas lésbicas também de aproximadamente 13 anos de idade, namorando e a grande discussão dessa comissão de Direitos Humanos da Minoria, me dá asco me referir a essa Comissão, trata do beijo lésbica de duas meninas. Atenção pais, tua filha de sete, oito, nove, dez anos, vai assistir ano que vem esse filmete, que já está sendo licitado. E a grande discussão da nossa Comissão de Direitos Humanos da Minoria é a profundidade da língua de uma menina tinha que entrar na boca da outra menina. Dá pra continuar discutindo esse assunto? Dá nojo. Esses gays, lésbicas querem que tomemos como exemplo de comportamento sua promiscuidade. Isso é uma coisa extremamente séria [...] nós não podemos nos submeter ao escárnio da sociedade. Esse kit pra seis mil escolas, pra criança de sete a doze anos vai ser distribuído ano que vem em todas as escolas públicas do Brasil, isso é uma vergonha [...] essa história de homofobia é uma história de cobertura para aliciar a garotada e especialmente os que eles acham que têm tendências homossexuais [...] repito de sete, oito, nove dez anos. [...] se um garoto tem um desvio de conduta, logo desde jovem, ele tem que ser direcionado para o caminho certo, nem que seja com umas palmadas. Me acusam de ser violento, mas não sou promíscuo, não sou canalha com as famílias brasileiras [...].</p>
			</disp-quote>
			<p>Estava instaurado o ‘pânico moral’ e o que se viu na sequência foi uma sucessão de confrontos promovidos na imprensa, sociedade civil, redes sociais, bancadas políticas religiosas e legisladores conservadores, cujos quais disseminavam uma série de desinformações a respeito desse material e da campanha do Ministério da Educação e Cultura (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Furlani, 2011</xref>). </p>
			<p>O discurso contrário ao material foi evocado inúmeras vezes pelo deputado nos anos subsequentes, como por exemplo, em entrevista concedida para o site UOL Notícias em 2011. </p>
			<disp-quote>
				<p>Não tenho nada contra as opções sexuais de quem quer que seja. Desde novembro do ano passado entrei sozinho, ainda de forma isolada na casa [Câmara de Deputados], batendo no <italic>Kit gay</italic> que o MEC junto com GLBT vão distribuir esse ano, para 6000 escolas públicas do primeiro grau, um material didático com cartazes, cartilhas e filmes que pra mim são filmes pornográficos para a garotada do primeiro grau mostrando lá. A intenção deles é combater a homofobia, mas ao garoto do primeiro grau ao assistirem filmes como Encontrando Bianca, já dá pra entender, beijo lésbico, e boneca na Mochila e mais dois aí, você vai na verdade está estimulando o homossexualismo escancarando as portas para pedofilia. <italic>Kit gay</italic> na escola não! (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Bolsonaro, 2011</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Desde a concepção do <italic>Kit</italic> de Combate e Prevenção a Homofobia seus propósitos foram muito claros ao especificar que o material seria distribuído para as escolas de Ensino Médio do país e de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada na época, 50,9% dos/as jovens de 15 a 17 anos estavam no Ensino Médio (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Oliveira Júnior, 2013</xref>). Após a capacitação para trabalharem com o <italic>kit</italic>, educadores e educadoras teriam livre arbítrio para usar, modificar, suprimir e acrescentar conteúdos de acordo com a necessidade e conveniência. </p>
			<p>A não obrigatoriedade de abordagem do tema fica nítida durante a apresentação do material nos grupos de formação de multiplicadores/as propostos pelo Projeto Escola Sem Homofobia: “[...] serviria para subsidiar multiplicadores/as e professores/as que teriam autonomia para adaptá-lo de acordo com a idade, com as regiões e com a capacidade, tanto dos/as alunos/as quanto dos/as próprios/as educadores/as, em se aprofundar naquele tema e promover uma discussão” (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Paulinha, 2011</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>.</p>
			<p>Como dito anteriormente, as representações de um legislador ou legisladora, como figura representativa de uma parcela da população, reverbera nas tomadas de posições e podem mudar o curso da história de uma nação. Foi o que se sucedeu no período subsequente onde, a então Presidenta do Brasil Dilma Rousseff, em 2011, diante da condição a que se viu exposta, mesmo sem ter acompanhado os vídeos, concordou que o material visual era inapropriado para ser apresentado a crianças e jovens e que o material faria propaganda de ‘opção sexual’. Sendo assim, restava a governante a opção de suspender todas as produções de combate à homofobia que estavam sendo editadas pelo MEC, especificamente, o <italic>Kit</italic> de Combate e Prevenção a Homofobia (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Grespan &amp; Goellner, 2011</xref>).</p>
			<p>Um projeto extensamente estudado, dispendioso, articulado com as mais distintas esferas estava sendo engavetado naquele momento, processo esse que <xref ref-type="bibr" rid="B22">Oliveira Júnior e Maio (2015</xref>) denominaram de ‘cultura do desagendamento’ assentada no conservadorismo que assola o País.</p>
			<disp-quote>
				<p>Temos acompanhado a difusão de discursos religiosos que advogam a imposição de valores, de crenças e de tradições restritos ao universo da norma heterossexual que impactam diretamente na atuação do Governo Federal voltada à formulação de políticas públicas de combate ao preconceito e à discriminação em função de orientação sexual e identidade de gênero nas áreas de educação e saúde (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Oliveira Júnior &amp; Maio, 2015</xref>, p. 15).</p>
			</disp-quote>
			<p>Diante disso restava evidente dois cenários: a prevalência da ‘moral e dos bons costumes’ apregoados pelas bancadas políticas conservadoras e o enfraquecimento do Movimento LGBTQIAPN+, pois tal conduta “[...] se desdobra na violação de direitos e ocasionam os mais distintos prejuízos sociais, ao retirar do ato de viver o livre exercício dos distintos modos de ser e sentir-se humano” (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Oliveira Júnior &amp; Maio, 2015</xref>, p. 16). Porém, a demarcação de uma conduta hegemônica não foi suficiente e o que vimos na sequência é o que segue nas próximas seções. </p>
		</sec>
		<sec sec-type="materials">
			<title>“Nós continuaremos combatendo esse tipo de material”: fake news na campanha eleitoral de 2018</title>
			<p>Em meados de 2013, assistimos à mobilização da extrema direita com o intuito de ascender Jair Bolsonaro ao Governo Federal. Adquiriu robustez as representações político-religiosas, empregadas na subversão das pessoas que seriam inimigas da ‘família tradicional brasileira’ e que intentariam destruí-la por meio da ‘homossexualização’ de crianças, da libertinagem sexual e outros elementos. Vigorou o discurso protecionista dos ‘filhos da pátria’, das ‘crianças da nação’ e da patologização da homossexualidade sob o argumento do cuidado com as crianças (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Vilela &amp; Libardi, 2019</xref>).</p>
			<p>A campanha presidencial foi alavancada pelo uso frequente de <italic>fake news</italic>, através de postagens e vídeos que circulavam na velocidade da luz em redes sociais como Youtube, Facebook, WhatsApp e Twitter. Dentre as divulgações falsas, houve a retomada discursiva relativa ao ‘<italic>kit gay’</italic>, dessa vez com mais intensidade, nova roupagem e acrescido de outros subterfúgios (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Maranhão Filho et al., 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Maracci, 2019</xref>). </p>
			<p>É válido destacarmos entrevista concedida, pelo presidenciável, ao Jornal Nacional, quando exibiu o livro <italic>Aparelho Sexual e Cia</italic>, alegando que o material era parte integrante do <italic>Kit</italic> de Combate e Prevenção a Homofobia. Não estando mais o vídeo da referida entrevista disponível na rede mundial de computadores, nos valemos da análise do conteúdo de um vídeo publicado, pela então Deputada Federal, Joice Hasselmann, uma das grandes apoiadoras do discurso do candidato, as vésperas das eleições presidenciais de 2018, intitulado: “O livro <italic>kit-gay</italic> foi distribuído nas bibliotecas das escolas públicas como brinde”.</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] esse livro na verdade estimula precocemente as crianças para o sexo e mais ainda escancara as portas da pedofilia. [...] As editoras que vendem material didático para o governo, por parte do governo, ele exige que as mesmas, a título de brinde, forneçam esse tipo de material. Por quê? O Ministério da Educação posa de ‘isentão’. Não tem nada a ver com isso, mas esse livro sim chegou em grande parte das bibliotecas das escolas de Ensino Fundamental em todo Brasil. Isso foi uma diretora que me deu e eu chequei que ele chegou em vários locais. E o Globo dizer que não fez parte do kit gay, pelo menos o Globo concorda que houve o tal kit gay, com outro nome, Escola Sem Homofobia. [...] Segundo o MEC está dizendo agora, eles estão mentindo, porque isso vai ir para biblioteca do ensino fundamental. A partir da sexta série a garotada da primeira e segunda série também têm acesso. O que interessa o que eles querem legalizar a pedofilia. Eles querem sexualizar nossas crianças precocemente. É uma esculhambação o que fazem com a Educação no Brasil (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Hasselmann, 2018</xref>, grifo nosso). </p>
			</disp-quote>
			<p>Esse momento, que se tornou paradigmático na campanha eleitoral, nos ajuda a compreender a permanência e a relevância do ‘Kit gay’ como um ator político, em uma controvérsia que se arrastou por anos, mas que, serviu de estopim para projetar a figura do presidenciável no cenário nacional e calcar seu conservadorismo como digital de sua campanha eleitoral, uma vez que, sua trajetória política foi irrisória e suas propostas para o desenvolvimento da nação parcas, como referenda seu discurso (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Maracci, 2019</xref>, p. 36) </p>
			<disp-quote>
				<p>Nós vamos combater, ou melhor nós continuaremos combatendo esse tipo de material para os nossos filhos, porque nossas crianças têm que ser respeitadas em sala de aula. O recado que eu dou pra você pai pra você mãe [...] vamos ver o que a garotada carrega na mochila e se tiver como de uma chegadinha na biblioteca em especial naquelas públicas que é pra atingir o filho do pobre, ou seja, o governo [...] não tem qualquer consideração com seu filho em sala de aula, eles querem que eles de forma cada vez mais precoce se apresentem para o sexo. Tamo junto, o Brasil é nosso, juntos chegaremos lá e mandaremos no destino dessa grande nação [...].</p>
			</disp-quote>
			<p>Além dessa entrevista, foram incontáveis as referências ao <italic>kit</italic> às vésperas do pleito presidencial, caminhando por vezes entre a paródia e a desinformação. O que as representações sobre <italic>kit gay</italic> evidenciam é uma mentira que, apoiada em elementos que remetem à desestabilização de uma sexualidade tida como normal, desorganiza os sentidos e faz com que uma ‘notícia’ se torne uma representação coletiva. Mais do que desestabilizar a sexualidade, essas representações agregavam elementos que promoveram o sucesso de sua propagação (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Moscovici, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">Vilela &amp; Libardi, 2019</xref>). </p>
			<p>Um exemplo claro desse alastre pode ser vislumbrado no tom pejorativo atribuído ao <italic>Kit</italic> de Combate e Prevenção a Homofobia, apelido de ‘<italic>Kit gay</italic>’, o qual transmitia a representação caluniosa e deturpada de um trabalho verdadeiro desenvolvido pelo MEC e entidades não governamentais. Essa ideia foi assimilada e incorporada nos discursos de seu grupo eleitoreiro. Com essas representações internalizadas no corolário coletivo, em 2018, com 55,13% o referido político, foi eleito para ocupar o cargo de Presidente do Brasil (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Moscovici, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Maracci, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B6">Feitosa, 2021</xref>). Com a ação exitosa desses grupos conservadores, em paralelo a muitos outros acontecimentos, estava dado o contexto político ou, em termos conceituais, as estruturas relacionais que possibilitariam a alteração do regime político e a mudança na correlação de forças em diferentes subsistemas de políticas públicas, dentre elas às associadas ao Movimento LGBTQIAPN+, que sofreu um paulatino processo de desidratação em suas estruturas causado pela retirada das diretrizes para Direitos Humanos da Comunidade LGBTQIAPN+ (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Moscovici, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B25">Romancini, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Maracci, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B6">Feitosa, 2021</xref>). </p>
			<p>Uma década de embate e já desgastados por esse debate nos questionamos se as discussões sobre o <italic>Kit</italic> de Combate e Prevenção a Homofobia se esgotaram? Obviamente a resposta é não. Basta fazermos uma rápida busca na base de dados do Google Acadêmico, utilizando o descritor ‘<italic>kit gay’</italic>, para nos depararmos com aproximadamente 2800 trabalhos científicos que envolvem essa temática, pois, ao contrário do que poderíamos pensar esse assunto não se esgotou com a ascensão do deputado a Presidência da República.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O ‘candidato do kit gay’: a retomada do discurso na campanha eleitoral de 2022</title>
			<p>Candidato a reeleição, em 2022, tendo como oponente o ex-Presidente Luís Inácio Lula da Silva, o então Presidente da República Bolsonaro tenta ressuscitar o ‘<italic>kit gay</italic>’, dizia matéria publicada pela Revista Veja (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Marques, 2022</xref>). O jornal O Globo publicou reportagem intitulada: ‘<italic>Fake news</italic> sobre '<italic>kit gay'</italic> volta a circular há um mês e meio da eleição’. </p>
			<p>A primeira matéria dizia que, Bolsonaro postou mensagem sobre um <italic>kit</italic> a ser distribuído pelo seu governo com ênfase na literatura familiar, com conteúdo que objetivam fortalecer os laços familiares. Se aproveitando do momento evocou de maneira velada o material que tanto criticara em 2018.</p>
			<disp-quote>
				<p>Diferentemente de governos anteriores, o <italic>kit</italic> atualmente distribuído é outro: entrega do material Programa Conta Pra Mim. Conteúdo educacional que incentiva o fortalecimento dos laços familiares e a alfabetização das crianças (fala pessoal) (<xref ref-type="bibr" rid="B20">O Globo, 2022</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Pessoas ideologicamente ‘bolsonaristas’ entenderam o recado do chefe do Executivo e como massa de manobra voltaram a ecoar suas ideologias: &quot;Isto sim, é conteúdo para criança, não aquele que o ‘Partido das Trevas’ queria distribuir para nossas crianças, aquele tal do <italic>kit</italic> [...]”, escreveu uma internauta nos comentários da reportagem.</p>
			<p>A Veja online publicou que, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do então Presidente da República compartilhou um vídeo no Instagram onde mostra uma criança de posse do livro <italic>Aparelho Sexual e Cia - Um guia inusitado para crianças descoladas</italic>, o mesmo que seu pai utilizou na campanha eleitoral de 2018. O vídeo vinha acompanhado da seguinte legenda: ‘Atenção!!!! Isso não é discurso de ódio ou qualquer outra ilação do momento. São apenas fatos! Acredito que nossos filhos não mereçam esse tipo de doutrinação!’, postou o parlamentar com as hashtags #PTnuncamais e #ideologiadegeneronão.</p>
			<p>Ficou claro que naquele momento da campanha eleitoral o representante do Executivo apresentava um discurso comedido em relação ao ‘<italic>kit gay’</italic>, isso deve-se a dois motivos. O primeiro refere-se ao que <xref ref-type="bibr" rid="B5">Coutinho et al. (2018</xref>, p. 167) apontam</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] durante nossas conversas [...] somos impelidos a nos manifestar sobre determinados assuntos, procurando explicações, fazendo julgamentos e tomando posições. Por meio dessas interações criamos universo consensuais e dessa forma, novas representações são produzidas e comunicadas, deixando de ser simples opiniões e passando a ser verdadeiras teorias do senso comum, [...] construções esquemáticas que visam dar conta da complexidade do objeto, facilitar a comunicação e orientar condutas. Essas teorias ajudam a forjar a identidade grupal e o sentimento de pertencimento do indivíduo ao grupo. </p>
			</disp-quote>
			<p>Neste momento é evidente que o Presidente não precisa mais fazer o ‘serviço sujo’, pois, seus filhos e eleitores/as compreendem e reverberam suas representações mesmo diante das meias palavras. O segundo fator deve-se ao trabalho incessante do Tribunal Superior Eleitoral - TSE, que desde 2018 intentou em combater e erradicar as <italic>fakes news</italic> disseminadas nas campanhas eleitorais de Bolsonaro, como veremos na seção a seguir. </p>
			<p>O TSE é o órgão máximo da Justiça Eleitoral, que tem papel fundamental na manutenção da democracia brasileira por meio de ações conjuntas com os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), órgãos responsáveis pela administração e organização do processo eleitoral dos Estados e Municípios. Segundo o Código Eleitoral (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Lei nº 4.737, 1965</xref>), a Corte é composta por sete ministros/as: sendo três do Supremo Tribunal Federal, dois/duas do Superior Tribunal de Justiça e dois/duas de juristas com notável saber jurídico e idoneidade moral. Cada ministro/a é eleito/a por um biênio, podendo ser reconduzido uma única vez. Essa rotatividade tem como princípio manter o caráter apartidário dos tribunais e garantir a isonomia das eleições (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Lei nº 4.737, 1965</xref>).</p>
			<p>Destacada a organização e competência do TSE é necessário fazermos um recuo e um avanço no tempo destacando as campanhas eleitorais de Bolsonaro, de 2018 e de 2022. Notícia publicada pelo Jornal Estadão e reproduzida no site UOL, em 16 de outubro de 2018 destaca que, o Ministro do TSE, Carlos Horbach, determinou a remoção de um conjunto de conteúdos postados em redes sociais, como Facebook e YouTube, onde o então presidenciável fazia críticas ao livro <italic>Aparelho Sexual e Cia</italic>, e taxativamente reiterava que o material era parte integrante do ‘<italic>kit gay</italic>’ a ser distribuído nos anos iniciais da Educação Básica das escolas da rede pública, na época em que Fernando Haddad (PT) estava à frente do Ministério da Educação, lembrando que esse era seu oponente no pleito eleitoral de 2018 (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Moura, 2018</xref>).</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B19">Moura (2018</xref>) enfatizou o discurso do ministro Horbach</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] é igualmente notório o fato de que o projeto 'Escola sem Homofobia' não chegou a ser executado pelo Ministério da Educação, do que se conclui que não ensejou, de fato, a distribuição do material didático a ele relacionado. Assim, a difusão da informação equivocada de que o livro em questão teria sido distribuído pelo MEC gera desinformação no período eleitoral, com prejuízo ao debate político, o que recomenda a remoção dos conteúdos com tal teor. </p>
			</disp-quote>
			<p>A mesma <italic>fake news</italic> voltou a circular em 2022, disse o site UOL Notícias. Um vídeo publicado no Facebook veio acompanhado de uma legenda que falsamente reiterava que o livro, evocado na campanha presidencial de 2018, era parte integrante do ‘kit gay’ e que o material fora distribuído nas escolas públicas (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Santiago, 2022</xref>). </p>
			<p>A transcrição completa da legenda que acompanhava o vídeo é indispensável para compreendermos o quanto as declarações de Jair Bolsonaro, dadas em 2018 reverberaram no tempo e solidificaram as representações de uma massa eleitoreira. </p>
			<disp-quote>
				<p>Em Camaçari, Bahia. Uma ‘professora’ usa material inapropriado e não autorizado induzindo à erotização, sexualização das crianças, um pai descobre, se revolta e vai reclamar. A própria pilantra filma sem qualquer constrangimento ou medo de represálias, embora esteja cometendo um crime contra a criança e contra a família, esta é a cartilha do kit gay de Haddad, que não foi liberado, por pressão da sociedade através do Congresso Nacional. O pai deveria ir à delegacia registrar queixa por conduta inadequada, inapropriada da ‘professora’. Em sala de aula, o professor não tem liberdade de expressão, mas liberdade de cátedra baseada em programa pré-estabelecido sobre uma plateia cativa. Isso teria que chegar ao MEC, MPF. Ah, se fosse minha com minha filha, não ia dar nada bom. (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Santiago, 2022</xref>, grifos nossos)</p>
			</disp-quote>
			<p>No dia 06 de setembro de 2022, o TSE determinou novamente a suspensão da veiculação e retirada do ar de <italic>fake news</italic> associadas ao ‘<italic>kit gay</italic>’, incluindo o vídeo, cujo discurso fora reproduzido e supracitado. Em sua interlocução, a ministra Maria Claudia Bucchianeri, do TSE, destacou </p>
			<disp-quote>
				<p>[...] o que se pretende, em sede de tutela provisória de urgência, é a remoção de vídeo com falas do Presidente Jair Bolsonaro em que se imputa aos governos anteriores do PT a suposta distribuição, nas escolas públicas, pelo Ministério da Educação, do livro Aparelho Sexual e Cia - Um guia inusitado para crianças descoladas, uma ‘cartilha que ensinaria as crianças a praticarem sexo’, iniciativa supostamente inserida naquilo que se passou a denominar ‘Kit gay’ (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Tribunal Superior Eleitoral, 2022</xref>, p. 4, grifos nossos).</p>
			</disp-quote>
			<p>Para a Ministra, o tema já era conhecido da Corte, restando assentado, tanto para o pleito de 2018, quanto para o pleito de 2022, que tal conteúdo, além de falso era desinformativo restando motivos suficientes para sua remoção. Comungamos das palavras da ministra, ao reiterar que “[...] afigura-se um cenário sombrio e gravíssimo que reforça comportamentos tendenciosos, de fake news e desinformação, o que deve ser rechaçado, dado o potencial lesivo do uso dessa técnica dentro do campo político-eleitoral” (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Tribunal Superior Eleitoral, 2022</xref>, p. 4). </p>
			<p>Nos dois momentos eleitorais, tanto a editora responsável pela edição do <italic>Kit</italic> de Combate e Prevenção a Homofobia, quanto o Ministério da Educação e Cultura, o Partido dos Trabalhadores, as organizações envolvidas no planejamento do <italic>Kit</italic> de Combate e Prevenção a Homofobia, num esforço conjunto negaram, nos mais distintos canais de comunicação, que o livro ‘<italic>Aparelho Sexual e Cia</italic> não foi entregue às escolas de Educação Básica, bem como não era parte integrante do <italic>Kit</italic>. </p>
			<p>O que estava posto na veiculação dessas <italic>fake news</italic> vai ao encontro daquilo que afirmam <xref ref-type="bibr" rid="B29">Vilela e Libardi (2019</xref>), de que, não basta as instâncias legais rechaçarem o teor falso das mensagens produzidas nas duas últimas campanhas presidenciais. Instaurar o pânico recorrendo a ameaça sexual é empregar o poder de esvaziar a capacidade de cognição e julgamento racional dos fatos da população nos períodos de escrutínio. </p>
			<p>Essas representações se organizam em torno de um núcleo central, que determina, ao mesmo tempo, sua significação e sua organização interna e um sistema periférico que promove a interface entre a realidade concreta e o sistema central. Nesse sentido, os elementos do núcleo central são mais difíceis de serem modificados, pois, se cristalizam e sustentam os objetos produzidos ou consumidos e as comunicações estabelecidas por figuras de autoridades e de defesa (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Abric, 1998</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B18">Moscovici, 2015</xref>).</p>
			<p>Dito isso, nos parece que na última década as inverdades em torno do “<italic>kit gay</italic>” se fundiram no imaginário coletivo de maneira quase inquebrantável e o que vimos pelas redes sociais as vésperas das eleições foi uma reprodução do discurso projetado por aquele que ocupou a cadeira da Presidência da República e da Câmara de Deputados do Rio de Janeiro em momentos anteriores. </p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações (in)conclusivas </title>
			<p>A dualidade que pode ser lida o título dessa seção nos faz caminhar por duas linhas de raciocínio: a primeira é de que estamos findando este texto com base na materialização do objetivo proposto para o mesmo e a segunda, bem mais complexa, evidencia que a última década foi insuficiente para esgotar as discussões em torno do famigerado ‘<italic>kit gay</italic>’ e que, por mais que seja projetada uma força conjunta com o intuito de erradicar as <italic>fakes news</italic>, as representações sobre o material encontram-se cristalizadas no imaginário coletivo de uma parcela significativa da população brasileira. Representações essas construídas e assentadas no discurso consensual, que encontrou eco na voz de um grupo político, cujas quais se arrastaram e provavelmente se arrastarão por longos anos. </p>
			<p>O intuito das discussões aqui propostas não é sobre a intencionalidade, conteúdo ou qualidade do <italic>Kit</italic> de Combate e Prevenção a Homofobia uma vez, que o material foi engavetado antes mesmo de sua distribuição, fato esse, que o torna desconhecido por grande parte da população. O que objetivamos referendar foi como se organizaram as representações consensuais de um ex-Presidente, nomeado como ‘representante do povo’ e suas projeções ao longo do tempo na constituição de um ideário coletivo e que, mesmo desmentido ou rechaçado por órgãos competentes passa a ser evocado como verdade absoluta. </p>
			<p>Essas representações postas em <italic>fake news</italic> desenharam os últimos anos da Educação brasileira no que se refere a violência impingida a estudantes LGBTQIAPN+. A ascensão do conservadorismo ao cargo máximo do legislativo destituiu Programas e Projetos que objetivavam combater e erradicar o preconceito contra essas pessoas. Pastas que tinham esse escopo se diluíram em outras pastas ou se extinguiram. Além disso nos deparamos com uma Base Nacional Comum Curricular - BNCC, que não faz referência alguma a diversidade sexual ou estudos de gênero. Como resultado observamos um crescente processo de patologização da homossexualidade que adquiriu fórum de agravamento ao promover a invisibilidade desse grupo em políticas públicas, sociais e educativas.</p>
			<p>Talvez, caro/a leitor/a, ao se deparar com este texto, você esteja diante de um novo cenário político, talvez, se encontre dentro do mesmo vórtice desenhado na última década. E se chegou até aqui é porque tais discussões lhes sejam caras. Resta a nós, educadores/as e cientistas sociais, com base em representações reificadas irromper a amálgama do senso comum de modo que possamos garantir direitos básicos e pétreos como a liberdade e igualdade de toda a população LGBTQIAPN+, seja no contexto escolar, seja fora dele.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Disponibilidade de dados</title>
			<p>Não se aplica</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
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				<element-citation publication-type="book">
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							<given-names>J. C.</given-names>
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					<source>Estudos interdisciplinares de representação social</source>
					<fpage>27</fpage>
					<lpage>38</lpage>
					<publisher-name>AB</publisher-name>
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			<ref id="B2">
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					<source>Análise de conteúdo</source>
					<comment>L. A. Reto &amp; A. Pinheiro, Trad.</comment>
					<publisher-name>Edições 70</publisher-name>
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				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Vilela</surname>
							<given-names>M. D.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Libardi</surname>
							<given-names>G. B.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2019</year>
					<chapter-title>Mamadeira erótica e kit gay: Fake news e noções de masculinidade na cibercultura.</chapter-title>
					<source>Anais do 20º Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sul</source>
					<publisher-name>Intercom - Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação</publisher-name>
					<publisher-loc>Porto Alegre, RS</publisher-loc>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
		<fn fn-type="other" id="fn4">
			<label>4</label>
			<p>Nota: Isaias Batista de Oliveira Júnior: Produção textual e adequação do artigo; Diego Raone Ferreira: Revisão textual e normalização.</p>
		</fn>
		<fn fn-type="other" id="fn6">
			<label>6</label>
			<p>Rodadas de avaliação: Quatro convites; dois pareceres recebidos</p>
		</fn>
		<fn fn-type="other" id="fn7">
			<label>7</label>
			<p>Revisor de normalização: Adriana Curti Cantadori de Camargo</p>
		</fn>
	</back>
	<sub-article article-type="translation" id="s1" xml:lang="en">
		<front-stub>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>TEACHERS' FORMATION AND PUBLIC POLICY</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>A decade of mutiny over unpublished material: representations of a former chief Executive on the 'gay kit'</article-title>
			</title-group>
			<author-notes>
				<fn fn-type="current-aff" id="fn8">
					<p>INFORMATION ABOUT THE AUTHORS Isaias Batista de Oliveira Júnior: Adjunct Professor at State University of Maringá - UEM. Permanent Professor of the Postgraduate Program in Education at the State University of Maringá. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9068-1983 E-mail: ibojunior@uem.br </p>
				</fn>
				<fn fn-type="current-aff" id="fn9">
					<p>Diego Raone Ferreira: PhD and MSc in Nursing from the Postgraduate Program in Nursing at the State University of Maringá - PSE/UEM. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7633-2085 E-mail: raonediego@gmail.com </p>
				</fn>
				<fn fn-type="edited-by" id="fn11">
					<p>Associate editor in charge: Solange Franci Raimundo Yaegashi (UEM) ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7666-7253 E-mail: sfryaegashi@uem.br</p>
				</fn>
			</author-notes>
			<abstract>
				<title>ABSTRACT. </title>
				<p>This descriptive research aims to categorize and analyze the discourses supported by Jair Bolsonaro's Theory of Social Representations, in the 2018 and 2022 electoral periods, about the ‘gay kit’. To materialize the objective, we used content analysis through two categories: ‘Is it possible to continue discussing this subject? It's disgusting’: social representations of a State Deputy and ‘We will continue to fight this type of material’: fake news in the 2018 electoral campaign. We infer that the representations in decisive moments of democracy have shaped the last years of Brazilian Education in terms of violence against LGBTQIAPN+ students, such as the removal of Programs and Projects, the extinction or dilution of portfolios, the pathologization of homosexuality and its invisibility in public, social and educational policies. Perhaps, when you come across this text, you are facing a new political scenario, perhaps, you find yourself within the same vortex shaped in the last decade. And if you have come this far, it is because such discussions are dear to you. It is up to us, educators and social scientists, based on reified representations, to break through the amalgam of common sense so that we can guarantee basic and fundamental rights such as freedom and equality for the entire LGBTQIAPN+ population, whether in the school context or outside it.</p>
			</abstract>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>social representations</kwd>
				<kwd>‘gay kit’</kwd>
				<kwd>LGBTQIAPN+ violence</kwd>
				<kwd>fake news</kwd>
			</kwd-group>
		</front-stub>
		<body>
			<sec sec-type="intro">
				<title>Introduction</title>
				<p>The Social Representations - SR - are seen as an 'atmosphere', in relation to the individual or a group, directs postures and behaviors that will serve as justifications in the taking of positions and in the construction of certain discourses. These representations when crystallising into individual and/or collective ideology will be brought to bear to safeguard the particularities of certain social extracts (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Moscovici, 2015</xref>). This has been the decade, between 2012 and 2022, where former Chief Executive, Jair Messias Bolsonaro, evoked during his term and on the eve of the 2018 and 2022 elections, the notorious 'gay kit'.</p>
				<p>The representations of the politician, as well as the group that supported him, on the material, disseminated in the form of fake news or false news, illustrated as a set of concepts and mythical explanations or beliefs, become common sense and begin to compose the repertoire of certain electoral groups, which from then on seek to establish analog relationships of these representations solidified in their ideal with their speeches. These groups, while making seemingly absolute judgments, evoke conditional alternatives, taken as legitimate, or conditionally generic and open. It is in this conditionality that the Social Representation Theory - SRT - allows us to establish analytical criteria to distinguish the cognitions considered absolute from conditional cognitions, at the same time that it allows us to understand the relational dynamics between the cognitive elements of the two systems (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Moscovici, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Sá, 1996</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">Abric, 1998</xref>). </p>
				<p>These SR lead us to understand the thought systems of those who evoke them, which can be represented by the consensual or reified universe. The universe reified is produced by scientific rigor and demands objectivity, techniques and methodologies recognized by science, not being the case in canvas. The consensual universe or common sense, object of our analysis, has a strong connection with the intellectual conceptions of a certain group and are constituted in social interactions. In this case it is almost possible to observe with the naked eye, the crystallization of these representations in the collective ideology of a portion of Brazilian society, by taking as absolute truth the discourses about the 'gay kit' (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Sá, 1996</xref>).</p>
				<p>In general, we can understand this mediation through two cognitive processes: anchoring and objectification. The first aims to transform something strange and disturbing in our particular system of categories by adjusting it to something familiar and that seems more appropriate to us, that is, explicit how new information is integrated and transformed the already existing information in our mental structure. The second consists in the transformation of abstract images into something concrete, and in the analysis we do here we observe the objectification about the 'gay kit' in the harangues of a former chief Executive and his electorate (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Jodelet, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B18">Moscovici, 2015</xref>). </p>
				<p>Based on these premises, and supported by the SRT, we adapted our study in order to categorize and analyze how were organized the representations, constituted in common sense, of the candidate for the Presidency of the Republic in the electoral period and their projections over time. To materialize our goal, we use content analysis, as assumed by <xref ref-type="bibr" rid="B2">Bardin (2016</xref>). Thus, we performed a scan in the world computer network in order to find speeches of said politician in two decision moments of Brazilian democracy that corresponded to the election campaigns of 2018 and 2022. By making inferences in the speeches of the former candidate for chief Executive, we established the following categories of analysis: 'Can we continue discussing this subject? It is disgusting': social representations of a state representative and; “'We will continue to combat this type of material': fakes news of the 2018 election campaign&quot;.</p>
				<p>Starting from these categories we organize our text in sections: in the first we will make a historical journey on the construction of the Kit for Combating and Preventing Homophobia, in the second we use the discursive analysis of thepolitical question, in the following we emphasize the work of the Supreme Electoral Court in fighting fakes news and finally we make considerations about the representations obtained.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>The Kit for Combating and Preventing Homophobia </title>
				<p>It is necessary to remake a brief historical journey to understand the context in which this material was elaborated and its projection in electoral periods. At first, it is worth drawing the attention of those who read us to the official name of the Project entitled: Kit for Combating and Preventing Homophobia, which had been pejoratively nicknamed 'gay kit', at the time, by the then State Deputy of the city of Rio de Janeiro, Jair Messias <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bolsonaro, in the year 2011</xref>. </p>
				<p>Resuming our historical delineation, we note that the Multiannual Plan from 2004 to 2007, taking into account the damage caused by homophobia in the LGBTQIAPN+ community (Lesbian, Gay, Bisexual, Transgender, Queer, Questioners, Intersex, Asexual, Allies, Pansexual, Polysexual, Non-Binary and more), defined in the sphere of the <italic>Human Rights Right of All Program</italic>, the Elaboration of the Plan to Combat Discrimination against Homosexuals (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Ministry of Health, 2004</xref>). </p>
				<p>Considering the guidelines provided in the Plan, it was entrusted to the Special Secretariat for Human Rights to design the 'Brazil without Homophobia Program - Program to Combat Violence and Discrimination against LGBT people and Promotion of Citizenship for Homosexuals. The guiding objectives of the Program were based on the promotion of citizenship and human rights, equalization of rights, combating violence and discrimination against LGBTQIAPN+ (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Oliveira Júnior, 2013</xref>). </p>
				<p>With an extensive agenda, the 'Brazil without Homophobia Program' established specific actions in the area of Education, stage for future conservative clashes. Seeking to contemplate these guidelines, the Federal Government aimed to promote strategies that contributed to the creation of the 'School Project without Homophobia'.</p>
				<p>In 2009, the initial kick-off was given in the solidification of the Project School Without Homophobia, through the development and publication of teaching materials to be distributed in the Public High School Network throughout the country, strategy designed, elaborated and executed through a coalition of Non-governmental Organizations representing the LGBTQIAPN+ Movement and the Ministry of Education and Culture - MEC. It was in this context that the preparation of a teaching material which was attributed to the nickname of Combat and Prevention of Homophobia Kit, widely disseminated by agents contrary to its distribution, as '<italic>gay kit</italic>' (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Fernandes, 2011</xref>).</p>
				<p>Developed and elaborated over two years, the Kit provided for the distribution, in the second half of 2011, of a set of teaching materials for the Public High School Network, including: Boleshs (Bulletins Escola sem Homofobia), Cover letter for education professionals, School without Homophobia Notebook - still currently available in the world network of computers and audiovisual resources with 05 short videos: Fear of what? Doll in the Backpack, Torpedo, Finding Bianca and Probability (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Oliveira Júnior, 2013</xref>). </p>
				<p>The dispute about the material began in the initial presentation of the Kit, promoted by André Lázaro, who at that time held the position of Secretary of the Ministry of Education, causing mistrust as to the purpose and intentionality of its content.</p>
				<disp-quote>
					<p>[...]. Just to tell a story to the difficulty in one of the teaching materials, the films, had a kiss on the mouth, and we were, a lesbian kiss on the mouth, and we spent three months discussing how far it had gone, how far the tongue went in [laughs] [...] (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Representative..., 2022</xref>).</p>
				</disp-quote>
				<p>What we saw from that moment was a frantic movement of conservative political benches and civil society positioning themselves contrary to the distribution of the Kit. The relationship between the State and the NGOs involved in the elaboration of the Project became tense at this time, especially with those dealing with gender studies, sexuality, combating LGBTQIAPN+phobia and school. The reception of the proposal of the Combrating and Preventing Homophobia Kit by sectors related to religious fundamentalism, during the seminar 'School without Homophobia' in the Chamber of Deputies of the National Congress, was permeated by controversy, resistance and LGBTQIAPN + explicit phobia (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Fernandes, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B9">Grespan &amp; Goellner, 2011</xref>). </p>
				<p>Thus, in 2010, legislative chambers were transformed into arenas of repudiation to the project. Politicians often approached the press asking for support from civil society to contain the distribution of the material and this, in turn, distributed through the worldwide computer network fake news and countless manifestos of suspension of the Kit. Among the fake news predominated the discourse that the Federal Government was financing homosexual practices in children and adolescents (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Fernandes, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16">Mello et al., 2012</xref>).</p>
				<p>In the epicenter of these clashes, gained visibility the figure of Jair Messias Bolsonaro, then Federal Deputy of Rio de Janeiro, either for his extremism with LGBTQIAPN + phobic bias, or by the distribution of the 'Anti-Gay Booklet', a discursive move that acquired quorum and quickly began to circulate in the most distinct media instances, calling attention to the supposed dangers that pedagogical material would provoke in education and in Brazilian society (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Brandão &amp; Santana, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B9">Grespan &amp; Goellner; 2011</xref>).</p>
			</sec>
			<sec sec-type="discussion">
				<title>&quot;Can we continue discussing this subject? It is disgusting&quot;: social representations of a state representative </title>
				<p>The speech broadcast by <italic>TV Câmara</italic>, on November 30, 2010, delivered by Deputy Jair Bolsonaro, caused outrage in the LGBTQIAPN+ community, NGOs and MEC, primarily for its prejudiced, sexist, heteronormative character, of incitement to violence and devoid of any human respect, as well as for their profound ignorance of the content that comprised the Kit for Combating and Preventing Homophobia. Moreover, it incited a considerable portion of society to repudiate the material without even knowing it. </p>
				<p>These representations, according to <xref ref-type="bibr" rid="B18">Moscovici (2015</xref>) are seen as an 'atmosphere', in relation to the person or group; specific of our society. This knowledge, when shared by a politician, as it is the case, served to refer positions and construction of certain conducts of a considerable portion of the population. In this sense, it is worth reproducing discursive excerpts from the politician in the legislative session described by <xref ref-type="bibr" rid="B21">Oliveira Júnior (2013</xref>, p. 89, our emphasis).</p>
				<disp-quote>
					<p> [...] I want to deal with a subject here that in my opinion for me, which in twenty years of Congress is the biggest scandal that I have come across [...]. Attention parents of students of six, seven, eight, nine and ten years of public school. Attention parents, your children will receive next year at school a kit. This kit with the title 'Fight against homophobia', but in fact it is a stimulus to homosexuality. It is an incentive to promiscuity, that is, in this kit, contain DVDs with two stories [...] that your seven-year-old son will watch next year, if we do not take a measure here now. First story: a boy of about fourteen years old, named Ricardo, goes to the bathroom to make 'pipi', looks to the side and his classmate is also doing and he falls in love with this colleague [...] and so he resolves to overcome bullying and assume his homosexuality. This boys of seven, eight, nine, ten years will watch next year. Well ahead to the scene of the film: when the teacher calls Ricardo in class he revolts, gay ways, with his tricks and talks like this, babbles, Bianca. My name is Bianca. And this film at the end gives the following moral lesson: this behavior of Ricardo or Bianca, then it becomes an exemplary behavior for the other students. Then there is another filmete: of the two lesbian girls also about 13 years old, dating and the great discussion of this Minority Human Rights Commission, I hate to refer to this Commission, deals with the lesbian kiss of two girls. Attention parents, your daughter of seven, eight, nine, ten years, will watch next year this filmete, which is already being bid. And the great discussion of our Minority Human Rights Commission is the depth of one girl’s tongue had to get into the other girl’s mouth. Can we continue discussing this subject? It’s disgusting. These gays, lesbians want us to take as an example of behavior their promiscuity. This is an extremely serious thing [...] we cannot submit to the derision of society. This kit for six thousand schools, for children from seven to twelve years will be distributed next year in all public schools in Brazil, it is a shame [...] this story of homophobia is a cover story to entice the kids and especially those they think have homosexual tendencies [...] repeat seven, eight, nine ten years. [...] if a boy has a deviant behavior, from a young age, he must be directed to the right path, even if it is with a slap. They accuse me of being violent, but I’m not promiscuous, I’m not a scoundrel with the Brazilian families [...].</p>
				</disp-quote>
				<p>The 'moral panic' was established and what we saw in the sequence was a succession of confrontations promoted in the press, civil society, social networks, which disseminated a series of misinformation about this material and the campaign of the Ministry of Education and Culture (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Furlani, 2011</xref>). </p>
				<p>The speech against the material was evoked numerous times by the deputy in subsequent years, as for example, in an interview granted to the site <italic>UOL Notícias</italic> in 2011.</p>
				<disp-quote>
					<p>I have nothing against the sexual choices of anyone. Since November last year I entered alone, still in isolation in the house [Chamber of Deputies], hitting the gay kit that the MEC together with LGBT will distribute this year to 6000 public schools of the first degree, a teaching material with posters, Booklets and movies that for me are pornographic films for the children of the first grade showing there. Their intention is to combat homophobia, but the boy of the first grade watching films like Finding Bianca, you can understand, lesbian kiss, and doll in the backpack and two more there, you are actually stimulating homosexuality opening the doors for pedophilia. No Gay Kit at schools! (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Bolsonaro, 2011</xref>).</p>
				</disp-quote>
				<p>Since the conception of the Kit for Combating and Preventing Homophobia, its purposes were very clear in specifying that the material would be distributed to the country’s high schools and according to the data from the National Survey by Household Sample (PNAD - <italic>Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios</italic>) and the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE), held at the time, 50.9% of young people aged 15 to 17 years were in high school (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Oliveira Júnior, 2013</xref>). After the training to work with the kit, educators would have free will to use, modify, delete and add content according to need and convenience. </p>
				<p>The non-mandatory approach of the theme is clear during the presentation of the material in the groups of training multipliers proposed by the School Without Homophobia Project: &quot;[...] would serve to subsidize multipliers and teachers who would have autonomy to adapt it according to age, with the regions and with the ability of both the students and the educators themselves, to deepen that theme and promote a discussion&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Paulinha, 2011</xref>).</p>
				<p>As said above, the representations of a legislator or legislator, as a representative figure of a portion of the population, reverberates in the positions taken and can change the course of the history of a nation. It was what happened in the subsequent period where, the then President of Brazil Dilma Rousseff, in 2011, before the condition to which she found herself exposed, even without having followed the videos, agreed that the visual material was inappropriate to be presented to children and young people and that the material would advertise 'sexual option'. Thus, it remained the governing authority the option of suspending all anti-homophobia productions that were being edited by MEC, specifically, the Kit for Combating and Preventing Homophobia (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Grespan &amp; Goellner, 2011</xref>).</p>
				<p>A project extensively studied, expensive, articulated with the most distinct spheres was being sheltered at that time, this process that <xref ref-type="bibr" rid="B22">Oliveira Júnior and Maio (2015</xref>) called 'culture of unscheduling' based on conservatism that plagues the country.</p>
				<disp-quote>
					<p>We have followed the diffusion of religious discourses that advocate the imposition of values, of beliefs and traditions restricted to the universe of the heterosexual norm that impact directly on the performance of the Federal Government aimed at formulating public policies to combat prejudice and discrimination based on sexual orientation and gender identity in the areas of education and health (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Oliveira Júnior &amp; Maio, 2015</xref>, p. 15).</p>
				</disp-quote>
				<p>In view of this, two scenarios remained evident: the prevalence of 'morality and good manners' promoted by conservative political parties and the weakening of the LGBTQIAPN+ movement, because such conduct &quot;[...] unfolds in the violation of rights and cause the most distinct social damages, by withdrawing from the act of living the free exercise of different ways of being and feeling human&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Oliveira Júnior &amp; Maio, 2015</xref>, p. 16). However, the demarcation of a hegemonic conduct was not enough and what we saw in the sequence is what follows in the following sections.</p>
			</sec>
			<sec sec-type="materials">
				<title>&quot;We will continue fighting this type of material&quot;: fake news in the 2018 election campaign.</title>
				<p>In mid-2013, we saw the mobilization of the extreme right in order to promote Jair Bolsonaro to the Federal Government. Acquired robustness political-religious representations, employed in the subversion of people who would be enemies of the 'traditional Brazilian family' and who would try to destroy it through the 'homosexuality' of children, sexual debauchery and other elements. The protectionist discourse of 'children of the homeland', 'children of the nation' and the pathologization of homosexuality under the argument of child care (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Vilela &amp; Libardi, 2019</xref>).</p>
				<p>The presidential campaign was leveraged by the frequent use of fake news, through posts and videos that circulated at the speed of light on social networks such as Youtube, Facebook, WhatsApp and Twitter. Among the false disclosures, there was a discursive resumption regarding the 'gay kit', this time with more intensity, new clothes and added other subterfuges (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Maranhão Filho et al., 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Maracci, 2019</xref>). </p>
				<p>It is worth mentioning an interview given by the presidential candidate to Jornal Nacional, when he exhibited the book <italic>Aparelho Sexual e Cia</italic>, claiming that the material was an integral part of the Kit for Combating and Preventing Homophobia. The video of this interview is no longer available on the world computer network, we use the analysis of the content of a video published by the then Federal Deputy, Joice <xref ref-type="bibr" rid="B10">Hasselmann, one of the great supporters of the candidate’s speech, on the eve of the 2018</xref> presidential elections, entitled: &quot;The gay-kit book was distributed in public school libraries as a gift&quot;.</p>
				<disp-quote>
					<p>[...] this book actually stimulates children early for sex and even more opens the doors of pedophilia. [...] The publishers who sell educational material to the government, on the part of the government, it requires that they, as a gift, provide this type of material. Why? The Ministry of Education poses 'isentão'. It has nothing to do with that, but this book did come in a large part of the libraries of elementary schools throughout Brazil. It was a director who gave me and I checked that he arrived in several places. And <italic>O Globo</italic> say that was not part of the gay kit, at least the Globe agrees that there was such a gay kit, with another name, <italic>Escola sem Homofobia</italic>. [...] According to the MEC is saying now, they are lying, because this will go to the elementary school library. From the sixth grade the first and second grade children also have access. What matters is that they want to legalize pedophilia. They want to sexualize our children early. It is a scoli do with Education in Brazil (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Hasselmann, 2018</xref>, our emphasis).</p>
				</disp-quote>
				<p>This moment, which became paradigmatic in the election campaign, helps us to understand the permanence and relevance of the 'gay kit' as a political actor, in a controversy that has dragged on for years, but that, served as a trigger to project the figure of the presidential on the national scene and trace its conservatism as digital of his election campaign, since, his political trajectory was ridiculous and his proposals for the development of the nation parcas, as reference his speech (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Maracci, 2019</xref>, p. 36)</p>
				<disp-quote>
					<p>We will fight, or rather we will continue to fight this kind of material for our children, because our children have to be respected in the classroom. The message I give to you father to you mother [...] let’s see what the kids carry in their backpack and if it has as a small arrival in the library especially in those public that is to reach the son of the poor, ie, the government [...] does not have any regard for your child in class, they want them in an increasingly early form to present themselves for sex. We are together, Brazil is ours, together, we will get there and rule the destination of this great nation [...].</p>
				</disp-quote>
				<p>In addition to this interview, there were countless references to the kit on the eve of the presidential election, sometimes walking between parody and disinformation. What the representations about gay kit show is a lie that, supported by elements that refer to the destabilization of a sexuality taken as normal, disorganizes the senses and makes a 'news' become a collective representation. More than destabilizing sexuality, these representations added elements that promoted the success of its propagation (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Moscovici, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">Vilela &amp; Libardi, 2019</xref>). </p>
				<p>A clear example of this spread can be seen in the pejorative tone attributed to the Kit for Combating and Preventing Homophobia, nicknamed 'Gay Kit', which conveyed the slanderous and distorted representation of a true work developed by the MEC and non-governmental entities. This idea was assimilated and incorporated into the speeches of his electoral group. With these representations internalized in the collective corollary, in 2018, with 55.13% said politician, was elected to hold the position of President of Brazil (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Moscovici, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Maracci, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B6">Feitosa, 2021</xref>). With the successful action of these conservative groups, parallel to many other events, was given the political context or, in conceptual terms, the relational structures that would make it possible to change the political regime and the correlation of forces in different subsystems of public policies, among them those associated with the LGBTQIAPN+ Movement, that suffered a gradual process of dehydration in their structures caused by the withdrawal of the guidelines for Human Rights of the LGBTQIAPN+ Community (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Moscovici, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B25">Romancini, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Maracci, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B6">Feitosa, 2021</xref>). </p>
				<p>A decade of clash and already worn by this debate we wonder if the discussions on the Kit for Combating and Preventing Homophobia have run out? Obviously the answer is no. Just do a quick search in the database of Google Scholar, using the descriptor ‘gay kit', to come across approximately 2800 scientific papers that involve this theme, because, contrary to what we might think, this subject was not exhausted with the rise of the deputy to the Presidency of the Republic.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>The ‘gay kit candidate’: the resurgence of this discourse in the 2022 election campaign</title>
				<p>Candidate for re-election in 2022, with former President Luís Inácio Lula da Silva as his opponent, the then President of the Republic Bolsonaro tries to resurrect the 'gay kit', said an article published by <italic>Revista Veja</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Marques, 2022</xref>). <italic>O Globo</italic> newspaper published a report entitled: 'Fake news about 'gay kit' back in circulation a month and a half before the election. </p>
				<p>The first article said that Bolsonaro posted a message about a kit to be distributed by his government with emphasis on family literature, with content aimed at strengthening family ties. Taking advantage of the moment evoked in a veiled way the material that he had criticized so much in 2018.</p>
				<disp-quote>
					<p>Unlike previous governments, the kit currently distributed is another: delivery of the material <italic>Programa Conta Para Mim</italic>. Educational content that encourages the strengthening of family ties and children’s literacy (personal speech) (<xref ref-type="bibr" rid="B20"><italic>O Globo</italic>, 2022</xref>).</p>
				</disp-quote>
				<p>People ideologically '<italic>bolsonaristas</italic>' understood the message of the chief Executive and as a maneuver mass they echoed their ideologies: &quot;This is content for children, not the one that the '<italic>Partido das Trevas</italic>' (Party of Darkness, free translation) wanted to distribute to our children, that such kit [...],&quot; wrote an internet user in the comments of the report.</p>
				<p><italic>Veja</italic> online published that, the federal deputy Eduardo Bolsonaro (PL-SP), son of the then President of the Republic shared a video on Instagram where he shows a child in possession of the book <italic>Aparelho Sexual e Cia - Um guia inusitado para crianças descoladas</italic>, the same his father used in the 2018 election campaign. The video was accompanied by the following caption: 'Attention!!!! This is not hate speech or any other implication of the moment. These are just facts! I believe that our children do not deserve this kind of indoctrination!', posted the parliamentarian with hashtags <italic>#PTnuncamais</italic> and <italic>#ideologiadegeneronão</italic>.</p>
				<p>It was clear that at the time of the election campaign, the Executive representative presented a moderate speech in relation to the 'gay kit', this is due to two reasons. The first refers to what <xref ref-type="bibr" rid="B5">Coutinho et al. (2018</xref>, p. 167) mention:</p>
				<disp-quote>
					<p>[...] during our conversations [...] we are urged to express ourselves on certain matters, seeking explanations, making judgments and taking positions. Through these interactions we create consensual universe and thus, new representations are produced and communicated, leaving simple opinions and becoming true theories of common sense, [...] schematic constructions that aim to account for the complexity of the object, facilitate communication and guide behaviors. These theories help forge the group identity and the individual’s sense of belonging to the group.</p>
				</disp-quote>
				<p>At this moment it is evident that the President no longer needs to do the 'dirty service', because his children and voters understand and reverb their representations even before half words. The second factor is due to the incessant work of the Superior Electoral Court - TSE (<italic>Tribunal Superior Eleitoral</italic>), which, since 2018, has sought to combat and eradicate the fake news disseminated in Bolsonaro’s election campaigns, as we will see in the following section. </p>
				<p>TSE is the highest body of the Electoral Justice, which has a fundamental role in maintaining Brazilian democracy through joint actions with the Regional Electoral Courts (TREs - <italic>Tribunais Regionais Eleitorais</italic>), bodies responsible for the administration and organization of the electoral process of states and municipalities. According to the Electoral Code (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Law n. 4.737, 1965</xref>), the Court is composed of seven ministers: three from the Federal Supreme Court, two from the Superior Court of Justice and two from lawyers with outstanding legal knowledge and moral integrity. Each minister is elected for one biennium and may be reappointed only once. This rotation is based on the principle of maintaining the non-partisan character of the courts and guaranteeing the independence of elections (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Law n. 4,737, 1965</xref>).</p>
				<p>Highlighted the organization and competence of the TSE, it is necessary to make a step back and an advance in time highlighting the electoral campaigns of Bolsonaro, 2018 and 2022. News published by Jornal Estadão and reproduced on the UOL website, on October 16, 2018 highlights that the Minister of the TSE, Carlos Horbach, determined the removal of a set of contents posted on social networks such as Facebook and YouTube, where the then presidable made criticisms of the book <italic>Aparelho Sexual e Cia</italic>, and explicitly reiterated that the material was an integral part of the 'gay kit' to be distributed in the early years of basic education of public schools, at the time when Fernando Haddad (PT) was at the head of the Ministry of Education, recalling that this was his opponent in the 2018 election campaign (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Moura, 2018</xref>).</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B19">Moura (2018</xref>) emphasized the speech of minister Horbach</p>
				<disp-quote>
					<p>[...] is equally notorious the fact that the project '<italic>Escola sem Homofobia</italic>' was not executed by the Ministry of Education, which leads to the conclusion that it did not provide, in fact, the distribution of teaching material related to it. Thus, the dissemination of misinformation that the book in question was distributed by MEC generates disinformation in the electoral period, to the detriment of political debate, which recommends the removal of content with such content.</p>
				</disp-quote>
				<p>The same fake news resurfaced in 2022, according to the UOL Notícias website. A video posted on Facebook was accompanied by a caption that falsely reiterated that the book, mentioned in the 2018 presidential campaign, was an integral part of the ‘gay kit’ and that the material had been distributed in public schools (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Santiago, 2022</xref>).</p>
				<p>The complete transcript of the caption accompanying the video is essential for understanding how much Jair Bolsonaro's statements, made in 2018, reverberated over time and solidified the representations of an electorate mass.</p>
				<disp-quote>
					<p>In Camaçari, Bahia. A ‘teacher’ uses inappropriate and unauthorized material inducing the eroticization and sexualization of children. A father discovers this, becomes outraged, and goes to complain. The scoundrel herself films it without any embarrassment or fear of reprisals, even though she is committing a crime against the child and against the family, this is the playbook of Haddad's &quot;gay kit,&quot; which was not released due to societal pressure through the National Congress. The father should go to the police station to file a complaint for the ‘teacher's’ inappropriate conduct. In the classroom, the teacher does not have freedom of expression, but academic freedom based on a pre-established program for a captive audience. This should reach the Ministry of Education and the Federal Public Prosecutor's Office. Oh, if it were me and my daughter, it wouldn't end well. (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Santiago, 2022</xref>, emphasis added)</p>
				</disp-quote>
				<p>On September 6, 2022, the TSE again ordered the suspension of the dissemination and removal of fake news associated with the ‘gay kit,’ including the video whose speech was reproduced and cited above. In her statement, Minister Maria Claudia Bucchianeri, of the TSE, highlighted:</p>
				<disp-quote>
					<p>[...] we seek, in the context of provisional urgent protection, is the removal of a video with speeches by President Jair Bolsonaro in which the previous PT governments are accused of allegedly distributing, in public schools, through the Ministry of Education, the book Sexual Apparatus and Co. - An unusual guide for cool kids, a ‘primer that would teach children how to have sex’, an initiative supposedly included in what came to be called the ‘Gay Kit’ (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Superior Electoral Court, 2022</xref>, p. 4, emphasis added).</p>
				</disp-quote>
				<p>According to the Minister, the issue was already known to the Court, and it had been established, both for the 2018 and 2022 elections, that such content, in addition to being false, was misinformation, providing sufficient grounds for its removal. We share the Minister's words, reiterating that &quot;[...] a bleak and extremely serious scenario emerges that reinforces biased behaviors, fake news and disinformation, which must be rejected, given the harmful potential of using this technique within the political-electoral field&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Superior Electoral Court, 2022</xref>, p. 4).</p>
				<p>In both election periods, the publishing house responsible for the Kit for Combating and Preventing Homophobia, as well as the Ministry of Education and Culture, the <italic>Partido dos Trabalhadores</italic>, and the organizations involved in planning the Kit for Combating and Preventing Homophobia, jointly denied, through various communication channels, that the book '<italic>Aparelho Sexual e Cia.</italic>' was not delivered to Basic Education schools, nor was it an integral part of the Kit. </p>
				<p>What was presented in the dissemination of these fake news stories aligns with what <xref ref-type="bibr" rid="B29">Vilela and Libardi (2019</xref>) state: that it is not enough for legal authorities to reject the false content of messages produced in the last two presidential campaigns. Instilling panic by resorting to sexual threats is to employ the power to empty the population's capacity for cognition and rational judgment of facts during periods of scrutiny. </p>
				<p>These representations are organized around a central core, which simultaneously determines their meaning and internal organization, and a peripheral system that promotes the interface between concrete reality and the central system. In this sense, the elements of the central core are more difficult to modify, as they crystallize and sustain the objects produced or consumed and the communications established by figures of authority and defense (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Abric, 1998</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B18">Moscovici, 2015</xref>).</p>
				<p>That being said, it seems to us that in the last decade the falsehoods surrounding the &quot;gay kit&quot; have merged into the collective imagination in an almost unbreakable way, and what we saw on social media on the eve of the elections was a reproduction of the discourse projected by the person who occupied the Presidency of the Republic and the Chamber of Deputies of Rio de Janeiro in previous times. </p>
			</sec>
			<sec sec-type="conclusions">
				<title>(In)conclusive thoughts </title>
				<p>The duality that can be read in the title of this section makes us walk by two lines of reasoning: the first is that we are ending this text based on the materialization of the objective proposed for it and the second, much more complex, evidences that the last decade was insufficient to exhaust the discussions around the notorious 'gay kit' and that, although a joint force is designed in order to eradicate the fakes news, representations on the material findif crystallized in the collective imagination of a significant portion of the Brazilian population. Representations these built and based on the consensual discourse, which found echo in the voice of a political group, which have dragged and will probably drag for many years. </p>
				<p>The purpose of the discussions proposed here is not about the intentionality, content or quality of the Kit for Combating and Preventing Homophobia, since the material was packed even before its distribution, a fact that makes it unknown to much of the population. What we aimed to refer was how the consensual representations of a former president were organized, appointed as 'representative of the people' and his projections over time in the constitution of a collective idea and that, even denied or rejected by competent bodies, becomes evoked as absolute truth. </p>
				<p>These representations put in fake news designed the last years of Brazilian education with regard to violence inflicted on LGBTQIAPN+ students. The rise of conservatism to the highest position in the legislature deposed programs and projects that aimed to combat and eradicate prejudice against these people. Pastes that had this scope were diluted in other pastes or extinguished. In addition, we are faced with a Common National Curriculum Base - BNCC (<italic>Base Nacional Comum Curricular</italic>), which does not make any reference to sexual diversity or gender studies. As a result, we observed an increasing process of pathologization of homosexuality that acquired aggravating forum by promoting the invisibility of this group in public, social and educational policies.</p>
				<p>Perhaps, dear reader, when coming across this text, you are facing a new political scenario, maybe within the same vortex drawn in the last decade. And if you have come this far, it is because such discussions are valuable for you. It remains for us, educators and social scientists, based on reified representations, to break out the amalgam of common sense so that we can guarantee basic and fundamental rights such as freedom and equality of the entire LGBTQIAPN+ population, whether in the school context or outside it.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Data availability</title>
				<p>Not applicable</p>
			</sec>
		</body>
		<back>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p>NOTE: Isaias Batista de Oliveira Júnior: Text production and article adaptation; Diego Raone Ferreira: Text revision and standardization.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>12</label>
				<p>Evaluation rounds: R1: Four invitations; two opinions received</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn14">
				<label>14</label>
				<p>Standardization reviewer: Adriana Curti Cantadori de Camargo</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Fala pessoal de Paulinha, integrante do projeto, em Evento ocorrido no Centro de Ciências Humanas e da Educação da UDESC, em Florianópolis, no dia 29 de junho de 2011.</p>
			</fn>
		</back>
	</sub-article>
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