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				<journal-title>Cadernos de Saúde Pública</journal-title>
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				<publisher-name>Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz</publisher-name>
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				<article-title>Ciências Sociais na formação de profissionais da saúde</article-title>
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					<trans-title>Social Sciences in the health professionals' formation</trans-title>
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					<trans-title>Ciencias Sociales en la formación de profesionales de la salud</trans-title>
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					<institution content-type="original"> Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil. adalpeixoto@yahoo.com.br</institution>
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					<label>Colaboradores</label>
					<p>As autoras participaram igualmente da concepção à escrita e revisão final do texto.</p>
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					<label>Informações adicionais</label>
					<p>ORCID: Adalgisa Peixoto Ribeiro (0000-0001-9415-8068); Graziella Lage Oliveira (0000-0002-3387-3583).</p>
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				<source>SAÚDE, SOCIEDADE E CULTURA: CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS PARA GRADUAÇÃO EM SAÚDE</source>
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		<p>O livro <italic>Saúde, Sociedade e Cultura: Ciências Sociais e Humanas para Graduação em Saúde</italic> é uma coletânea de 16 capítulos, organizada por duas professoras do Departamento de Saúde e Sociedade do Instituto de Saúde Coletiva, da Universidade Federal Fluminense.</p>
		<p>A obra parece compor de forma providencial um panorama temático do campo das Ciências Sociais ao se dedicar à graduação, nível pouco privilegiado por trabalhos que têm visado mais às disciplinas da pós-graduação <xref ref-type="bibr" rid="B1"><sup>1</sup></xref>. Nesse sentido, pensados e escritos com o olhar direcionado aos estudantes de cursos da área da saúde, os capítulos primam por uma linguagem mais próxima a seu público-alvo, com textos relativamente curtos, trazendo temas cruciais que motivam os estudantes. A pretensão dos autores é que o livro se torne uma referência nos conteúdos de Ciências Sociais e Humanas para os profissionais de saúde em formação.</p>
		<p>Os capítulos foram divididos em três partes. A primeira parte é dedicada à <italic>Cultura e Subjetividade no Cuidado</italic>, composta por cinco textos. O primeiro capítulo discute as dimensões subjetivas da clínica e como é complexo lidar com a singularidade do sofrimento. Traz conceitos fundamentais como o de clínica ampliada e o de tecnologias leves, e como contribuem para incorporar dimensões subjetivas e sociais no cuidado em saúde, com exemplos concretos. O segundo apresenta a Antropologia como uma ferramenta para os profissionais de saúde, em um texto com leitura agradável e de fácil compreensão, que discutiu conceitos fundamentais como cultura, alteridade, evolucionismo e relativismo cultural, as formas de compreensão da doença, da experiência da doença e os modelos explicativos que envolvem esta experiência, os sistemas de cuidado e os itinerários terapêuticos. Esses capítulos iniciais, que apresentam conceitos ancorados em autores clássicos das Ciências Sociais, parecem preparar o leitor para apreender a crítica, ora implícita, ora explícita no decorrer do livro, sobre a desumanização das práticas e a tecnificação das relações entre profissionais e usuários dos cuidados em saúde.</p>
		<p>O terceiro capítulo discute as tensões a que os médicos estão submetidos no desempenho de sua profissão, seus sentimentos de sobrecarga e frustração por não terem formação suficiente para compreender seu papel social e as características da sociedade onde trabalham. No calor dessa reflexão, a autora do capítulo afirma que os ideais médicos estão sobrecarregados por dois mitos: o de uma ciência positivista e o de um humanismo perdido. Assim, o sentimento de compaixão e o desejo de cuidar do outro estão subsumindo na medicina dos dias atuais.</p>
		<p>O quarto capítulo discute as influências da cultura sobre o processo saúde/doença, trazendo perspectivas da saúde bucal, mas perfeitamente aplicadas à saúde geral. O quinto discute como o estresse afeta a saúde. Talvez esse capítulo seja o que mais destoou dos demais, pois mesmo trazendo um tema atual e usado no campo das ciências sociais e de saúde, privilegiou questões biológicas e bioquímicas.</p>
		<p>Na parte II, quatro capítulos compõem o tema <italic>Diferentes Concepções e Estratégias de Cuidado</italic>. Ao abrir esse conjunto de textos, as organizadoras introduzem uma reflexão sobre o modelo biomédico tradicional, marcado por seu caráter intervencionista, biologicista, mecanicista e com foco central na doença que tem sido colocado em xeque. Isso ocorre porque esse modelo abre pouco ou nenhum espaço para a dimensão simbólica da racionalidade médica, mesmo que ela esteja presente o tempo todo na prática profissional. As críticas ao sistema biomédico poderiam ser baseadas em diversos aspectos, mas são direcionadas para a supervalorização da neutralidade e objetividade que leva ao distanciamento entre profissionais e pacientes que estabelecem uma relação cada vez mais deteriorada. Nesse sentido, observa-se que “<italic>o papel milenar terapêutico da medicina, como arte de curar, em proveito da diagnose e da ciência das doenças</italic>” (p. 83) parece estar esmaecido. Com base nessa crítica, novos rumos para a biomedicina contemporânea são apontados no final do sexto capítulo.</p>
		<p>Os capítulos sétimo ao nono trazem discussões caras ao campo das Ciências Sociais aplicadas à saúde <xref ref-type="bibr" rid="B2"><sup>2</sup></xref>, como as racionalidades médicas vitalistas e práticas integrativas e complementares, experiências de arteterapia como um exercício estratégico na busca por integralidade na formação médica e medicalização da vida.</p>
		<p>A parte III do livro é composta por sete textos, com o tema <italic>Educação Popular, Internet e Controle Social em Saúde</italic>. No décimo capítulo, encontram-se reflexões sobre as dimensões educativas das práticas em saúde, assumindo que na relação de cuidado o processo educativo ocorre até mesmo de forma não intencional ou não formal. Assim, consideram que formar profissionais comprometidos com a educação em saúde é fundamental para promover autonomia e saúde. No décimo primeiro capítulo, a relação médico/paciente é abordada baseando-se nos impactos do “dilúvio de informações sobre saúde” disponíveis na Internet. Para os autores, esse amplo acesso a informações de variadas fontes funciona como controle dos pacientes que podem conferir ou complementar o diagnóstico ou explicações sobre suas condições de saúde oferecidos pelos médicos.</p>
		<p>O décimo segundo texto reflete sobre o controle social e a formação em saúde valendo-se das contribuições da reforma sanitária italiana para a brasileira e das bases legais que constituíram o Sistema Único de Saúde (SUS). As instâncias de controle social na área da saúde são evocadas como lugar privilegiado de participação popular nas decisões sobre gastos públicos com o direito à saúde, corresponsabilizando profissionais de saúde no fortalecimento do SUS e seus princípios.</p>
		<p>A atenção integral às pessoas com deficiência é o tema do décimo terceiro capítulo, que focaliza os direitos e as políticas que orientam a organização dos serviços para atender às especificidades deste grupo social. O envelhecimento é o tema do capítulo seguinte que aborda questões muito caras à gerontologia como a promoção da saúde e prevenção das doenças mais comuns na velhice, a visão que se tem do corpo, afeto e sexualidade nesta fase da vida, vivências de violência e instituições de longa permanência para idosos como uma das dimensões do cuidado.</p>
		<p>Os dois últimos capítulos do livro tratam de um tema que costuma ser bastante sensível aos futuros profissionais de saúde em formação: a terminalidade da vida. O décimo quinto capítulo é dedicado ao cuidado possível além das promessas de cura e como se preparar para cuidar de alguém que tem um prognóstico ruim, um paciente terminal. No derradeiro capítulo, o enfoque é dado à “boa morte” e ao direito a vivenciar a última fase do ciclo de vida com cuidado adequado e ético.</p>
		<p>O conteúdo do livro suscita reflexões sobre como os temas e conceitos mais caros às Ciências Sociais estão sendo abordados na formação dos profissionais de saúde e como podem contribuir para uma formação humanística, mais conectada à individualidade, sem perder de vista o coletivo, em que os processos de saúde, doença, cuidado, cura e morte são construídos. Esse é o seu ponto forte. A novidade é que no decorrer dos capítulos os autores apresentam as experiências de ensino e como abordam os temas na graduação. Os desafios para docentes das disciplinas de Ciências Sociais aplicadas à saúde são daí depreendidos.</p>
		<p>A experiência das autoras da resenha, como docentes dessa área no curso de medicina, tem mostrado que é fundamental não perder de vista as referências que forjaram o campo das ciências sociais na área da saúde, mas é urgente ampliar os olhares para a inclusão de questões sociais cada vez mais complexas e que exigem novas metodologias de estudo, novas formas de aproximação dos estudantes e de abordagem da diversidade de objetos afeitos a esta disciplina. Isso faz com que a obra seja indicada a docentes e profissionais em formação.</p>
		<p>Assim como afirma Canesqui <xref ref-type="bibr" rid="B3"><sup>3</sup></xref> (p. 20): “<italic>saúde e doença não são objetos tão modernos, mas se transformam e influenciam-se pelos novos objetos, simultaneamente pertencentes à natureza e à cultura</italic>”. Temas como sexualidade e gênero, comunicação em saúde <xref ref-type="bibr" rid="B2"><sup>2</sup></xref>, migração, vulnerabilidade social, violências, interseccionalidades e adoecimento dos próprios profissionais de saúde não foram abordados no livro, mas emergem da vida social e da experiência docente como fundamentais para a formação dos futuros profissionais que serão responsáveis pelo fortalecimento e continuidade do SUS.</p>
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				<mixed-citation>1. Nunes ED. História e paradigmas da saúde coletiva: registro de uma experiência de ensino. Ciênc Saúde Colet 2011; 16:2239-43.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>2. Canesqui AM. Ciências sociais e saúde no Brasil. São Paulo: Editora Hucitec; 2007.</mixed-citation>
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